quarta-feira, 24 de junho de 2009

é INTERIOR

é interior
dia de festa, dia de ir embora numa viagem adiada pra amanhã
bandeirolas enfeitam as ruas, fogos abrilhantam a noite, beatas fazem a novena, cavalos cansados de levar gente no lombo sujam as ruas
na praça as pessoas forrozeiam até o dia clarear, uma banda após a aoutra, o copo não fica vazio, o frio é incombatível
a alegria do reencontro com parentes que não mais lembrados, a saudade de pessoas distantes que não posso ter ao meu lado
os carros não param de passar, as pessoas vão de um lado a outro, o salão nunca fecha, a casa verde de Dadá continua lá cheia de visitas que partiriam hoje, o trem do forró cruza da cidade cheia de crianças e idosos
as roupas novas não são percebidas no meio do carramanxão de cidade fantiosa cheia de comidas de lanchonete, o forró é de balada aromântica
a procissão leva o ramo pra casa de alguém importante da cidade, a fanfarra segue com meia dúzia de instrumentistas, não há fogueiras
a antena parabólica liga a cidade ao mundo, o sotaque forte é resgatado, ruas que faziam parte de um imaginário infantil viram paralelepípedo e poeira
o sol clareia o dia, o cruzeiro reluz solitário no alto do monte, do rio ninguém fala, a roça tá lá "pêca", a casa de vô caindo, não teve milho esse ano
as dúvidas se ressecam, a memória se ocupa com a cidade velha-novidade, o vazio insiste, o frio é interno
é São João
é Jeremoabo
é confuso
é interior

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